quarta-feira, 13 de maio de 2009

“ESCAPANDO A QUARTA” (parte 1)

Nem todas as pessoas gostam de carros. Particularmente gosto de carros antigos, raridades. Algum psicólogo de plantão diria algo sobre certo apego pelo passado, mas como já conversamos aqui, essa profissão poderia acabar hoje para mim e não sentiria a mínima falta. Há mais pessoas que gostam de coisas antigas, para sorte minha a Naty também gosta.sic!
Mas tempos atrás quando aconteceu um sinistro, não o do fogo, um outro sinistro sinistral. Fiquei sem carro e um amigo me deu um carro, um Uno. Não vou dizer o nome dele, porque perderia o amigo, aliás, esse parceria não me da “puxão de orelhas”, ele me dá “ponta pé na orelha”(é feia essa palavra). Gosto de pessoas corajosas, que não tem medo da morte, pois “mi nombre es muerte” (jura).Esse uno quebrou um galhão, e não era macaco gordo. Mas toda vez que o dirigia, “plein”, escapava a quarta marcha, escamotiava, cof-cof, e se jogava pros lados, e andava meio emboiolado”. Como dizia meu avo (põe o chapeuzinho) “não dá nem pra debriá”. E a fumaça, se os magrão descobrissem o cheiro? Nunca mais iriam querer saber de Crak. Assim era o fumaça. E quando ele me deu o carro, vi que ele fez uma cara meio fechada e triste, pensei em devolver, mas ele poderia pensar que eu era orgulhoso. Depois vi que a cara que ele fez, era de pena pelo que eu iria passar, e passsei.
Era festa das motos na praia, chamado Maremotos, quando dois caras de kawasaki e suzuki encostaram um de cada lado do Uno, me olharam e provocaram em tom de brincadeira, e disseram: “bâmo?” Abriu o sinal eles se foram...E lá foi o uno escapando a quarta, bem longe deles. Mas o que eles não contavam é que à quinhentos metros dali, tinha outro semáforo(é linda essa palavra). Parei ao lado dos dois, extrai do íntimo do meu vingativo e humorado coração, um olhar zombeteiro e sarcástico e fiz aquele sinal com o dedo indicador rumo ao futuro e disse: “agora bâmo”! Os caras devem ter pensado: ‘esse cara é loco’, e ficaram teso. Parados. Acelerei em frente deles tudo o que o carro podia, parecia um filme, em preto e branco claro. O motor fundindo e fazia 20 km por litro, mas de óleo. Aquilo ficou uma fumaceira de uns cinqüenta m2, e sem exageros e tomou proporções dantescas que até eu me assustei...foi quando os magrão sairam do meio daquela fumaça toda, zonzos, mas de tanto rirem, e os no que estavam no uno, deu uma crise de riso e em outros que presenciaram também. Quanto ao carro tive de fazer o motor duas semanas depois, não teve jeito. Mesmo depois ele passou a ser chamado de fumaça, e pelos outros, porque não sou desses que dão apelidos em carro.
Assim são certos jovens e imaturos pregadores, não tão jovens em idade e tempo de circulação nos meios evangélicos e católicos. São os crentólicos. Fazem todos rirem e darem gargalhadas nos púlpitos pelo mundo a fora, contam piadas, falam em avivamentos, palavras proféticas jogadas como quem aspergem água benta nos fiéis, sem responsabilidade e nem sabendo o que dizem. Como “o fumaça” fazendo outros chorar de tanto rir, fazendo estardalhaços, prometendo muito e oferecendo nada mais que momentos de palhaçadas, fazendo do “lugar da habitação” nada mais que um circo onde há palhaços maquiados para alegrar com palavras motivacionais, mas onde há também palhaços na platéia, que se satisfazem só pelo fato de estar ali, pois é tempo da graça. E isso pode custar muito caro. E outros como os motoqueiros que são pregadores que enfrentam céus e inferno, subestimando as regiões celestiais, dando “palavras de ordem” para mundos invisíveis e seres angelicais, amarrando valentes e ordenando anjos para que vão e vem como se fossem suas marionetes espirituais e vão acabar sufocados onde não há fumaça, mas há fogo. A esses Deus chamou de “nuvens sem água” e “mar de espumas” , e a esses foram chamados de “sinos que retinem” e “ventos sem chuva”. E o do badalar dos sinos em contagem regressiva irá tocar e aqueles que permanecerem firmes obedecendo? Uma voz irá ouvir dizendo: “Esses são meus filhos amados em quem tenho o maior prazer”.
“TEM OUVIDOS...ENTÃO OUVE”

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